Passar para o conteúdo principal

PRIMEIROS SOCORROS

A dor é a primeira manifestação do nosso organismo de que se está a passar algo de errado. Ou seja, a dor é o nosso sistema de alerta. Quando ocorre uma situação de emergência, uma queda, um acidente ou qualquer lesão é importante conhecer pequenas regras de primeiros socorros até à intervenção de um profissional de saúde.

Muitas vezes, uma ação rápida e o conhecimento do que não se deve fazer podem salvar vidas. Indicamos de seguida as primeiras regras de ação no caso das diferentes situações relacionadas com a dor.

DICAS - primeiros socorros
TRAUMATISMO CRANIANO

São todas as lesões que afetam o rosto, o pescoço e/ou o crânio, incluindo contusões, feridas e/ou fraturas. As fraturas em qualquer uma destas zonas implicam assistência médica urgente, porque podem comprometer as vias aéreas ou estar associadas a uma diminuição do nível de consciência.


 

O QUE FAZER

• Face a qualquer impacto violento na cabeça e na presença de qualquer sintoma anteriormente descrito, telefone para o 112 e descreva em pormenor as circunstâncias e o estado da vítima.

• Mantenha a calma e controle a situação.

• Coloque a vítima com a boca para cima, levantando-a em bloco. Se a elevação em bloco não for possível, levante a cabeça e os ombros mantendo imóvel o eixo cabeça‑pescoço.

• Facilite a respiração abrindo a camisa ou retirando qualquer peça de roupa ou objeto que possa dificultar a respiração ou o manuseamento da vítima.

• Se a vítima estiver consciente, tente averiguar o que sucedeu e como esta se sente, perguntando por algum sintoma.

• No caso da existência de hemorragia, tape-a de imediato e coloque uma ligadura circular que aperte e comprima o penso, ou então exerça pressão com a mão sobre o ponto em sangramento, até que deixe de sangrar.

• No caso de fratura no rosto, coloque gelo local protegido com um pano. Não exerça demasiada pressão para evitar um aumento da lesão na vítima.

• No caso de traumatismo craniano ligeiro, coloque gelo local protegido com um pano nos primeiros minutos.

 

O QUE NÃO FAZER:

• Não dê de comer ou beber à vítima.

• Não deixe a vítima sozinha, mesmo que os sintomas desapareçam.

• Não mexa o pescoço, mesmo que o golpe não tenha ocorrido diretamente nesse ponto.

• Não tape os ouvidos no caso do escorrimento de líquido ou sangue.

• No caso de um acidente de moto, nunca retire o capacete.

COLUNA CERVICAL

Suspeite de uma lesão da coluna quando a vítima receber um golpe forte na cabeça e nas costas, sofrer uma queda de uma altura considerável, um acidente com impacto violento ou se apresentar inconsciente.

A vítima sentirá dor e rigidez muscular. Pressuponha uma situação de gravidade quando verificar perda de mobilidade e/ou sensibilidade nas extremidades, assim como dificuldade respiratória.


 

O QUE FAZER

• Telefone para o 112.

• Mantenha a vítima imóvel, com o eixo cabeça-pescoço-coluna alinhado.

• Segure na cabeça com as duas mãos, tal como nos traumatismos da cabeça.

Realize uma imobilização cervical improvisada:

1. Peça ajuda a outra pessoa.

2. Diga-lhe para segurar a cabeça com firmeza, impedindo o seu movimento.

3. Meça a largura do pescoço da vítima com os dedos, do ombro ao maxilar inferior.

4. Estenda 4 ou 5 folhas de jornal e dobre-as segundo a largura anteriormente obtida na diagonal.

5. Coloque o jornal assim dobrado à volta do pescoço da vítima o mais ajustado possível, permitindo que esta respire e engula com normalidade.

6. Prenda este "colar improvisado" com a ajuda de fita adesiva, acrescentando uma gravata, uma tira larga de tecido, lenços triangulares, etc.

7. Continue a manter o controlo da cabeça com as duas mãos

Se, por motivos de urgência (vómitos súbitos), for necessário virar a vítima:

1. Peça ajuda a outra pessoa. Diga-lhe para segurar a cabeça com firmeza, impedindo o seu movimento.

2. Coloque-se no lado para onde pretende virar a vítima. Ponha os braços desta sobre o corpo cruzados nos pulsos (se não apresentar lesões). Coloque uma mão no ombro mais afastado da vítima e a outra na coxa desse mesmo lado.

3. Quando ambos estiverem prontos, puxe com força e lentamente para si, virando a vítima em bloco até meio, enquanto o outro socorrista realiza a rotação da cabeça em simultâneo, mantendo a cabeça segura com firmeza.

4. Mantenha a posição alinhada enquanto durar a situação de urgência que levou a virar o corpo.

TRAUMATISMOS
NAS EXTREMIDADES

Suspeite de uma lesão nos ossos, músculos e/ou articulações dos braços e pernas quando surgir inflamação e deformidade e a vítima referir dor localizada e com o movimento, além de dificuldade para a mobilidade da zona.

Pressuponha uma situação de gravidade quando a dificuldade para mover o membro se intensificar e a deformidade for muito clara, inclusivamente associada a feridas e contusões e, até, saída do osso nas fraturas expostas
 

O QUE FAZER

• Telefone para o 112 e informe sobre as circunstâncias e o estado da vítima.

• Aplique gelo ou frio local se não existir ferida na zona.


Se a vítima colaborar, peça-lhe para não mover o membro e até que o mantenha imóvel na posição menos dolorosa. Não permita o apoio em caso de lesão do membro inferior.

• Imobilize o membro afetado de modo a impedir o movimento da articulação anterior e da articulação posterior à zona da fratura.

• Nos membros inferiores, mantenha a imobilização unindo as pernas e os pés com ligaduras, tiras largas de tecido, lenços triangulares, etc.

• Nos membros superiores, prenda o braço ao corpo com um lenço triangular (uma espécie de sling) ou com a própria roupa presa por um botão, alfinete, atacador de sapatos, etc.

O QUE NÃO FAZER

• Não endireitar uma possível fratura ou luxação.

• Não aplicar calor ou pomadas anti-inflamatórias.

• Não mover ativamente um membro com indícios de fratura.

TORÁCICA
Enfarte agudo do miocárdio

SINTOMAS

• Dor persistente no peito que se pode alargar ao pescoço, braços, ombros, costas e mandíbulas. Ao mudar de postura, essa dor não se altera.

• Problemas para respirar, respirações mais rápidas, sensação de asfixia; por vezes, respiração ofegante ("fome de ar").

• Pele fria, pálida, transpirada e azulada. Fraqueza ou enjoos repentinos. Problemas gastrointestinais, náuseas e vómitos.

• Alterações na pulsação (pode estar rápida e fraca, ou irregular). A vítima pode descrever uma sensação de "morte iminente". Inconsciência e, de seguida, paragem cardiorrespiratória.

 

O QUE FAZER

• Mantenha a calma e o controlo da situação. Telefone para as urgências.

• Coloque a vítima numa posição que lhe seja cómoda e sem fazer qualquer tipo de esforços.

• Se a pessoa estiver consciente e já tenha tido sintomas iguais em ocasiões anteriores e tiver medicação, administre-a.

• Afrouxe todas as peças de roupa que estiverem a apertar, de forma a permitir uma boa respiração (cintos, cachecóis, golas de lã, etc.)

• Controle os sinais vitais da pessoa e, se inconsciente, monitorize a respiração:

      - Se a vítima não respirar ou se a respiração for ineficaz (bloqueios ou movimento torácico escasso), prepare-se para iniciar manobras de RCP.

      - Se a vítima respirar, coloque-a na posição lateral de segurança e não perca a respiração de vista.

 

• Controle a vítima e não a deixe sozinha em momento algum enquanto não chegar ajuda.

• Quando os serviços de emergências médicas chegarem, explique-lhes o que sucedeu, as medidas realizadas e todas as informações que tenha sobre a vítima.

 

O QUE NÃO FAZER

• Administrar medicação que não seja a que foi receitada ao próprio doente, ainda que um transeunte lhe diga que a toma para esses mesmos sintomas.

• Permitir que a pessoa faça qualquer esforço, como andar ou subir escadas.

• Dar de comer ou beber à vítima. Caso esta se engasgue, os esforços para tossir ou as náuseas pioram a situação.

• Pôr a vítima nervosa, porque a angústia piora a situação do doente e aumenta a necessidade de oxigénio por parte do coração. Não transferir diretamente a vítima pelos seus próprios

Fonte: Manual de Primeiros Socorros Samur - Proteção Civil