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Sabia que? Cerca de 70% dos doentes submetidos a cirurgia em Portugal relata dor no período pós-operatório1

A dor aguda faz parte do sistema de proteção do organismo. É um sinal de alerta para a ocorrência de um traumatismo, uma queimadura ou uma doença súbita.2 Neste sentido, a dor desempenha um papel importante na manutenção ou restauração da integridade física.2 A dor aguda é um sintoma de extrema importância para o diagnóstico de várias doenças, sendo o principal motivo de procura de cuidados de saúde pela população3.

Este tipo de dor caracteriza-se por ser autolimitada, claramente localizada e pelo facto de a sua intensidade se correlacionar facilmente com o estímulo que lhe deu origem. Quando a relação entre a intensidade da dor e o fenómeno que lhe deu origem não se apresenta de forma direta ou linear, acaba por se transformar numa doença por si. A dor aguda é o motivo de ida à urgência em 70% dos doentes e, apesar dos avanços científicos, o seu controlo inadequado continua a ser mais regra do que exceção.3,4,5

PRINCIPAIS CAUSAS DE DOR AGUDA2

• Dor pós-operatória

• Traumas e queimaduras

• Lesões desportivas

• Atividades e lesões por sobrecarga

• Mucosite oral em doentes oncológicos

• Técnicas de diagnóstico, como as biópsias

• Trabalho de parto

• Cefaleias

• Cólicas menstruais

• Odontalgias

 

FATORES PREDITIVOS PARA A DOR AGUDA
PÓS OPERATÓRIA7

• Género feminino

• Idade (a prevalência da dor tende a ser mais elevada em indivíduos jovens)

• Presença de Dor Pré-Cirúrgica

• Experiências cirúrgicas anteriores

• Duração da cirurgia (quanto maior a duração da intervenção, maior é a prevalência de dor)

• Ansiedade

• Índice de Massa Corporal (IMC’s mais elevados têm maior predisposição para a dor)

• Tipo de cirurgia

A DOR PÓS-OPERATÓRIA

A dor no período pós-operatório ou pós-cirúrgico é uma das principais causas de dor aguda e define-se por ser uma consequência direta do ato cirúrgico. A dor pós-cirúrgica é o sintoma pós-operatório mais vezes referido e constitui a primeira causa de admissão e readmissão hospitalar após a intervenção.6

As conclusões de diversos autores e a experiência clínica sugerem que o melhor fator preditivo da ocorrência de dor intensa após a alta é o seu inadequado controlo durante as primeiras horas do pós-operatório, tornando-se evidente a necessidade de tratar adequadamente a dor neste período.8 O inadequado controlo da dor pós-operatória pode resultar em complicações de origem 9,10:
 

• Cardiovascular
• Gastrointestinal
• Muscular
• Psicológica

 

O tratamento adequado da dor aguda pós-operatória é um dos aspetos mais importantes não só para o conforto do doente mas também para a obtenção de resultados de qualidade no âmbito cirúrgico. Adicionalmente, o adequado controlo da dor pós-operatória tem sido amplamente referido como o principal motivo de satisfação do doente, facilitando o processo de recuperação, minimizando o sofrimento do doente e evitando a cronificação da dor.

 
Referências

Referências

1. Castro Lopes et al. Estudo Epidemiológico Prospectivo e Multicêntrico Sobre Dor Aguda Pós-operatória em Portugal – Resultados preliminares. 2010.

2. IASP. Global Year Against Acute Pain – Facts Sheets [internet]. [acesso em 07 de julho 2017]. Disponível em  https://www.iasp-pain.org/Advocacy/Content.aspx?ItemNumber=1097

3. Wu 2011. Treatment of acute postoperative pain. Lancet. 377: 2215–25

4. Todd KH, Miner JR. Pain in the emergency room. In: Fishman SM, Ballantyne JC, Rathmell JP, editors. Bonica’s management of pain, 4th edition. Lippincott, Williams and Wilkins; 2010. p 1576–87.

5. Benhamou D, Berti M, Brodner G, De Andres J, Draisci G, Moreno-Azcoita M, Neugebauer EA, Schwenk W, Torres LM, Viel E. Postoperative Analgesic THerapy Observational Survey (PATHOS): a practice pattern study in 7 Central/Southern European countries. Pain 2008;136:134–41.

6. López Álvarez S, López Gutiérres A, Zaballos Garcia M, et Al. Grupo de trabajo sobre fisiopatologia y tratamiento del dolor en cirugía ambulayoria, ASECMA Recomendaciones sobre el manejo del dolor agudo postoperatorio en cirugía ambulatoris, 2011

Referências

7. Ip 2009. Predictors of postoperative pain and analgesic consumption: a qualitative systematic review. Anesthesiology. 111(3): 657-677.

8. Recomendações para o tratamento da dor aguda pós-operatória em cirurgia ambulatória 2013 – Associação portuguesa de Cirurgia Ambulatória

9. Baratta 2014. Clinical consequences of inadequate pain relief: barriers to optimal pain management. Plast Reconstr Surg. 134(4 Suppl 2): 15S-21S.

10. Joshi 2005. Consequences of inadequate postoperative pain relief and chronic persistent postoperative pain. Anesthesiol Clin North America. 23(1): 21-36.

11. Taylor 2013. The impact of early postoperative pain on health-related quality of life. Pain Pract. 13(7): 515-523.

12. Plano Estratégico Nacional de Prevenção e Controlo da Dor (PENPCDor). 2013.