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Dor Pós-Operatória

O QUE É A DOR PÓS-OPERATÓRIA?

A dor pós-operatória ou pós-cirúrgica é aquela que decorre do ato cirúrgico.

Ainda que a primeira anestesia tenha assegurado a cirurgia sem dor em 1846, século e meio depois, e apesar de todos os avanços farmacológicos e tecnológicos, ainda não foi possível eliminar a dor pós-operatória nos hospitais.1 A dor pós-operatória ou pós-cirúrgica é aquela que decorre do ato cirúrgico, permanecendo como o sintoma pós-operatório mais vezes referido e constituindo a primeira causa de admissão e readmissão hospitalar após um ato deste tipo.2

A dor pós-operatória decorre das manipulações específicas do ato cirúrgico e da libertação de substâncias que induzem dor. A dor pós-cirúrgica caracteriza-se por ser aguda, previsível e autolimitada no tempo. É uma dor de tipo nocicetiva (que resulta de um estímulo que causa dor), associada a reações vegetativas, psicológicas, emocionais e comportamentais. Se não for adequadamente tratada, pode tornar-se crónica.

A Associação Internacional para o Estudo da Dor (IASP) estima que cerca de 30% dos doentes submetidos a cirurgia apresentem dor crónica pós-operatória.

Quer a intensidade da dor aguda pós-operatória quer a probabilidade da sua evolução para a cronicidade são condicionadas por uma série de fatores como o tipo de doente, a preparação pré-cirúrgica, a intervenção cirúrgica, a técnica anestésica, as complicações que podem surgir no período perioperatório e os cuidados pós-cirurgia, sem esquecer que a dor é uma experiência subjetiva influenciada por diferentes fatores3.

O controlo da dor aguda pós-operatória (DAPO) constitui um dos aspetos mais importantes para a obtenção de resultados de qualidade no âmbito cirúrgico, facilitando o processo de recuperação, minimizando o sofrimento do doente e evitando a cronificação da dor2.

NÚMEROS SOBRE A DOR PÓS-OPERATÓRIA

• Mais de 80% dos doentes sofre de dor intensa em algum momento da sua recuperação e 30% de dor moderada depois de serem submetidos a uma intervenção cirúrgica.4-6

• De acordo com um questionário realizado em hospitais portugueses, 71% dos doentes inquiridos sentiram dor no segundo dia após a intervenção cirúrgica, sendo a dor de intensidade moderada a intensa em 25% dos casos.7

• No mesmo estudo, a incidência de dor crónica após a cirurgia foi de 15%, sendo significativamente superior nos doentes operados nos serviços de Ortopedia/Traumatologia (24%).7

• Cerca de 74% dos doentes necessitavam de terapêutica farmacológica para a dor e quase um quinto considerava que a dor não estava a ser bem controlada7.

Referências

1. Bertini L. Pain free hospital: organisation aspects. Minerva Anestesiol. 2001;67(9 Suppl 1):181-6.

2. López Álvarez S, López Gutiérres A, Zaballos Garcia M, et al. Grupo de trabajo sobre fisiopatologia y tratamiento del dolor en cirugía ambulayoria, ASECMA. Recomendaciones sobre el manejo del dolor agudo postoperatorio en cirugía ambulatoris. 2011.

3. Holdcroft A, Power I. Recent development: management of pain. BMJ. 2003;326(7390):635-9.

4. Marks RM, Sachar EJ. Undertreatment of medical inpatients with narcotic analgesics. Ann Intern Med. 1973;78(2):173-81.

Referências

5. Mather L, Mackie J. The incidence of postoperative pain in children. Pain. 1983;15(3):271-82.

6. Carr DB, Gordas LC. Acute pain. Lancet. 1999;353(9169):2051-8.

7. Castro Lopes J. Estudo epidemiológico prospetivo e multicêntrico sobre a dor aguda pós-operatória em Portugal – resultados preliminares, 2010.