O mindfulness, com raízes milenares, tornou-se muito popular nos últimos anos.1
A aplicação desta prática na dor crónica teve início na década dos anos 80. O modelo de tratamento era conhecido como mindfulness, baseado na redução do stress e foi gradualmente incorporado na intervenção à dor crónica.1-3
O mindfulness (atenção plena) pode considerar-se uma filosofia de vida, que inclui a prática de meditação, que procura alcançar um estado de atenção, focado num pensamento ou sentimento (felicidade, tranquilidade, harmonia), um objeto, a própria concentração ou algum elemento de perceção (os batimentos cardíacos, a respiração, o calor corporal, etc.). Este estado é recriado no momento presente e visa libertar a mente de pensamentos negativos.4
Praticar mindfulness significa acreditar que servirá para melhorar a qualidade de vida em determinados aspetos, embora não implique, necessariamente, crenças religiosas ou espirituais. É, por isso, que o termo mindfulness é frequentemente utilizado para abordar um tipo de meditação baseada nos princípios da ciência. Uma versão sistematizada e laica da meditação, capaz de ser modelada por descobertas científicas.1,4
Uma investigação publicada no Journal of Internal Medicine revelou que praticar meia hora de mindfulness diariamente, alivia os sintomas de perturbações como a depressão ou a ansiedade. Além deste facto, os autores demonstraram que a meditação focada (derivada da prática budista de concentração no presente e ausência de juízos de valor), podia ter efeitos positivos na perceção da dor. Os resultados foram validados, inclusivamente controlando o efeito placebo. O aumento do bem-estar foi reportado até 6 meses.5
Centrar-se para a experiência imediata é o que facilita entrar em contacto com a calma do presente, sem ficar preso em pensamentos e sentimentos negativos. Desta forma, a componente afetivo-cognitiva, que amplifica a experiência de dor, pode ser reduzida.6
Os métodos de mindfulness incluem7:
- Meditação baseada na respiração
- Meditação baseada no corpo (Body Scan)
- Caminhada baseada na meditação
- De forma complementar, são utilizadas posturas de yoga para melhorar a consciência corporal, a resistência e a flexibilidade corporal.
Um dos programas de mindfulness para pessoas com dor crónica, baseia-se na redução do stress, em formato de grupo, e é realizado em oito sessões de duas horas cada. Este programa termina com uma sessão intensiva, com a duração de um dia.7
Atualmente, estão disponíveis resultados de uma meta-análise sobre a eficácia das terapias baseadas em mindfulness para dor crónica, com resultados favoráveis. Estes estudos indicam que este tipo de intervenção, reduz os sintomas de dor, o stress emocional e a frequência a cuidados de saúde primários.8
