
Definição
A diabetes mellitus (DM) é uma doença metabólica caracterizada pelo inadequado controlo dos níveis de glicose no sangue, hiperglicemia crónica, juntamente com episódios frequentes de hipoglicemia.1
A DM está classificada em dois grandes tipos, diabetes tipo 1 (DM1) e diabetes tipo 2 (DM2), pelo que ambas as condições podem causar múltiplas complicações que afetam o coração, rins, vasos sanguíneos, a visão e o sistema nervoso, com um impacto negativo na qualidade de vida dos doentes.1
A diabetes tipo 2 é a forma mais comum da doença (90% dos casos)2 e, em Portugal, afeta cerca de 10% da população.3
A DM afeta o sistema nervoso periférico, sendo responsável por uma das complicações mais frequentes, a neuropatia diabética (ND).1
Existem vários tipos de neuropatias diabéticas, pelo que a mais comum, é a polineuropatia simétrica distal, que ocorre após longos períodos de hiperglicemia. Trata-se de um processo sensorial que, na maioria das vezes, surge de forma insidiosa e progride de forma gradual.1
Causas
A NDP (neuropatia diabética periférica) é a complicação mais frequente, incapacitante e dispendiosa da diabetes e, ao longo do tempo, pode afetar, pelo menos, 50% dos doentes diabéticos.4,5,6
A neuropatia diabética periférica dolorosa (NDPD) é um fenótipo comum da neuropatia diabética periférica, que se desenvolve com dor e, por norma, piora à noite e sob stress ou fadiga.7
A NDPD afeta até 1 em cada 3 doentes diabéticos , e caracteriza-se por alterações sensoriais e dor, geralmente de forma bilateral, com uma distribuição em ‘’meia e luva’, começando a dor por afetar as extremidades inferiores, especialmente os pés, podendo evoluir de forma distal-proximal.7
A NDPD está associada a uma redução significativa da qualidade de vida, a elevados níveis de ansiedade e depressão, perturbações do sono e instabilidade na marcha.7
O seu diagnóstico é fundamental para adotar medidas preventivas e assim precaver o aparecimento do “pé diabético”.8
Diagnóstico
A neuropatia periférica diabética (NPD) caracteriza-se por ser uma complicação neurológica, associada a sintomas como parestesias, dor, dormência e sensação de queimadura.9
Além do mais, os doentes que sofrem de neuropatia periférica diabética dolorosa (NPDD) são mais suscetíveis de desenvolver depressão, ansiedade, distúrbios do sono e amputações do pé.9
Na seguinte imagem podem ser observados os principais sinais e sintomas da NPDD:

Sinais e sintomas
O diagnóstico da NDPD é maioritariamente clínico, devendo basear-se na avaliação dos sintomas e em exames clínicos e neurológicos, incluindo utilização de testes clínicos rápidos de avaliação da função de pequenas e grandes fibras, como pinprick (limiar à picada) e avaliação da sensibilidade à temperatura (pequenas fibras), e avaliação de vibração e proprio¬cepção (grandes fibras).10
Tendo em conta a prevalên¬cia e consequências da NDP, importa não só melhorar o diagnóstico, como também fazer com que o mesmo aconteça o mais atempadamente possível.10
Deste modo, a avaliação de NDP deve ser realizada, anual¬mente, após o diagnóstico de DM2 e, no caso da DM1, em doentes com diagnóstico há mais de 5 anos.10
Deverá ser identificada e valorizada a presença de dor, sintomas sensitivos e descritores verbais de dor neuropática.10
