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Sabia que? O ponto de partida para o controlo eficaz da dor assenta numa avaliação clínica completa

Milhões de pessoas sofrem diariamente com dor crónica. Para além da dor propriamente dita, um dos principais problemas é que a dor crónica, à partida, é invisível para as outras pessoas. Por esse motivo, o exame clínico e a avaliação do doente com dor crónica requerem uma análise detalhada - esta análise não se deve restringir à história da dor e à história do doente, devendo também explorar o percurso de tratamento da dor e incluir uma avaliação detalhada dos fatores psicossociais.

 

Avaliar a dor é mais do que medir a intensidade da dor

Escalas de avaliação da dor

O doente tem de determinar a intensidade da dor, quer no momento da avaliação inicial, quer durante o tratamento para poder avaliar a sua eficácia. Como não existem métodos práticos objetivos de medição da dor, essa informação tem de ser obtida através de escalas. A determinação da intensidade da dor é sempre subjetiva. Contudo, as escalas permitem que o médico fique com uma ideia mais aproximada da perceção do doente.1-4

Escala Visual Analógica

A Escala Visual Analógica consiste numa linha horizontal ou vertical, com 10 centímetros de comprimento, que tem assinalada numa extremidade a classificação "Sem Dor" e na outra a classificação "Dor Máxima". O doente terá de fazer uma cruz ou um traço perpendicular à linha no ponto que representa a intensidade da sua dor. Posteriormente, mede-se em centímetros a distância entre o início da linha (que corresponde a zero) e o local assinalado, obtendo-se uma classificação numérica.5

Escala Analógica
Escala Qualitativa

Na Escala Qualitativa solicita-se ao doente que classifique a intensidade da sua dor de acordo com os seguintes adjetivos: "Sem Dor"; "Dor Ligeira"; "Dor Moderada"; "Dor Intensa"; "Dor Máxima". 5

Escala Numérica

A Escala Numérica consiste numa régua dividida em onze partes iguais, numeradas sucessivamente de 0 a 10. Pretende-se que o doente faça a equivalência entre a intensidade da sua dor e uma classificação numérica, sendo que 0 corresponde à classificação “Sem Dor” e 10 à classificação “Dor Máxima” (dor de intensidade máxima imaginável). 5

1
2
3
4
5
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7
8
9
10
Escala de Faces

Na Escala de Faces é solicitado ao doente que classifique a intensidade da sua dor de acordo com mímica representada em cada face desenhada, sendo que à expressão de felicidade corresponde a classificação “Sem Dor” e à expressão de máxima tristeza corresponde a classificação “Dor Máxima”.

Os sintomas da dor são diferentes

É igualmente importante estimular o doente a caracterizar a própria dor para diferenciar entre os vários tipos de dor existentes. Por exemplo: a dor neuropática localizada é muitas vezes descrita com sintomas de pontada, queimadura, facada ou choque elétrico.

 

Diário da dor

É importante que o doente mantenha um diário da dor, para a monitorização do tratamento. Nesse diário, os doentes podem registar a intensidade da dor, a administração de medicamentos, os efeitos secundários associados, as suas atividades e o seu bem-estar em geral. Esta ferramenta ajudará depois o médico a escolher o tratamento adequado para cada doente em particular e a estabelecer objetivos terapêuticos em conjunto com o doente. Também requer uma colaboração ativa e um maior envolvimento do doente no seu próprio tratamento.

Referências

1. Ragab AA. Validity of self-assessment outcome questionnaires: patient-physician discrepancy in outcome interpretation. Biomed Sci Instrum. 2003; 39:579–84.

2. Younger J, McCue R, Mackey S. Pain outcomes: a brief review of instruments and techniques. Curr Pain Headache Rep 2009; 13:39–43.

3. Downie WW, Leatham PA, Rhind VM, Wright V, Branco JA, Anderson JA. Studies with pain rating scales. Ann Rheum Dis 1978; 37:378–81.

4. Josephine Teo. Systematic Review of unidimensional Pain Assessment Tools.

5. Direção-Geral da Saúde. A Dor como 5º sinal vital. Registo sistemático da intensidade da Dor. Circular Normativa Nº 09/DGCG. 14/06/2003.